19 de Abril de 2017 | 20h26

Janelas Killer

Por André Uébe


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Em seu interessante artigo denominado “As três Janelas da Mente”, o parapsicólogo Francisco Schork esclarece sobre o Sistema Grisa que, conforme a parapsicologia, define-se como o sistema subconsciente que age autonomamente ao consciente. Neste universo, o psiquiatra e terapeuta Augusto Cury traz o conceito de Janelas Neutras, Janelas Traumáticas e Janelas Saudáveis. Para Cury, estas janelas surgem a partir de gatilhos de memória, no subconsciente humano e que, quando acionados diversas vezes,  tornam-se responsáveis por dar significados às formas, sons, imagens e ao nosso mundo interior e exterior.

Conforme Schork, as Janelas Traumáticas ou Janelas Killer, em especial, são as responsáveis pelo registro de experiências fóbicas, ou seja, àquelas relacionadas a sentimentos como perdas, frustrações, privações, culpas entre outros. Apesar de não afetar imediatamente o corpo físico, estas janelas acabam por acorrentar o indivíduo em seu subconsciente, impedindo que o mesmo seja conscientemente gestor de sua própria vida. Quando o indivíduo se vê defronte a uma janela Killer, suas emoções disparam incontrolavelmente e suas ações conscientes acabam ficando relegadas a um segundo plano de controle. Dan Brown em seu livro “10% Mais Feliz” dá uma boa dica sobre como é possível mapearmos as emoções como processo de entendimento e controle das ações pessoais decorrentes delas, uma vez que não podemos controlar nossas emoções, mas podemos controlar nossas atitudes diante delas, por meio de meditação, oração e reflexão. As emoções podem se manifestar fisicamente no peito, no estômago, na cabeça e tentar enxergar as manifestações físicas das nossas emoções é um grande primeiro passo.

Em vários momentos da vida, lidamos com situações que nos remetem à uma situação fóbica, a uma Janela Killer. Quando isto acontece, os pensamentos negativos vêm como em enxurrada e o ego toma força com frases de efeito como “não sou amado”, “o outro é melhor eu”, “não fui devidamente valorizado”, “o outro me feriu” entre outras. E geralmente quando isto acontece, nos apavoramos diante destas fobias e reagimos com imprudência que, ao final, acaba intensivando ou antecipando o fato que temíamos ou tentávamos evitar de ocorrer. 

Inaptos a enfrentar estes monstros interiores, nos acuamos ainda mais como fragilizadas e desprotegidas crianças, ou atacamos o outro pela raiva e desejo de ferir. No primeiro caso, reforçamos o sentimento de culpa. No segundo caso, reforçamos o se sentimento de mágoa. Mas em ambos os casos, criamos um escudo que nos protege e afasta da Janela Killer em questão. Mas também nos impede de superá-la.  Em ambos os casos, fazemos uma transferência do problema para alguma instância de nós, como o Id (uma parte de nossa personalidade) que, de forma repressora, assumirá a culpa por todo o ocorrido, ou ainda, para terceiros que se tornam culpados pelo nosso sofrimento, expresso por meio de mágoa e raiva. 

Em ambos os casos, estamos fugindo de nós mesmos. Como animais acuados incapazes de enfrentar nossas Janelas Killer, ou os monstros que se mostram nela, toda a ação consciente se torna mais difícil, uma vez que estamos inundados por sentimentos fóbicos. E daí, surgem as crises de pânico, quando a incapacidade de estar diante das fobias transbordam em ansiedade para o corpo físico, gerando palpitações cardíacas, sudorese descontrolada, insônia, mal humor, dificuldade de respirar, além de golfantes e massacrantes pensamentos desconexos da realidade.

Por esta razão algumas situações negativas vivenciadas parecem ser repetitivas. Pois quando ocorrem, tanto quanto as neutras e saudáveis, nos colocam diante de alguma Janela Killer que nunca saiu do lugar de onde foi criada dentro de nós. Não há como destruir uma Janela Killer, mas há como sobrepô-la com uma Janela Saudável, a ponto de que estar diante da primeira não mais nos fará perder o controle consciente, por meio de sentimentos desconexos. Isto é a superação.

Portanto, quando a ansiedade e o pânico baterem, ou quando a raiva a determinado indivíduo ou situação estiverem no domínio dos pensamentos, lembre-se que estamos apenas fazendo transferência de foco, como mecanismo de defesa, para o verdadeiro propósito que é o de conseguir sobrepor uma Janela Killer por uma Janela Saudável. Portanto, culpar a si mesmo ou ter raiva do outro só irá adiar e nos tornar mais expostos a situações desagradáveis e que só expressam a necessidade de nos resolvermos dentro de nós.

Professor, Administrador, PhD