20 de Abril de 2017 | 23h12

Pilantropia

Por José Luiz Pimentel Batista


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O Brasil está dando mostras de ser um dos países com mais corruptos do mundo. Pessoas que nós jamais iríamos imaginar que estariam dentro do “esquema”, hoje dão mostras que estavam ministrando aulas de bandidagem e se perpetuando no poder. Os caminhos antes ocultos das propinas vão aos poucos aparecendo, muitos, inclusive, no exterior.

A cada delação revelada descobre-se que o dinheiro ilícito financiava campanhas há décadas, ou seja, a coisa não é de agora e sim de antes (mais tempo do que se pensava). Chegaram a falar em trinta anos de funcionamento da máquina de pilantragem.

Com a descoberta da magnitude da associação criminosa, agora a gente entende como tantos e tantos votos foram comprados e como tal organização nefasta era alimentada. A Odebrecht soltava um volume tão gigantesco de dinheiro em forma de caixa 2 que é difícil imaginar como ela ainda continuava a ter lucro. O setor de propinas, segundo o noticiado, movimentou cerca de R$10,6 bilhões. Se tal número foi verdadeiro, será mais do que o Produto Interno Bruto de muitos países.

É claro que a simples existência de uma delação não leva, necessariamente, uma pessoa à cadeia, até mesmo porque já expliquei neste espaço que o Juiz julga com base em um conjunto de provas, mas, no caso específico da Lava Jato, pelo que se sabe, há muitas e muitas delações, além de farta prova documental, pericial e outras, que, somadas e analisadas pelo todo, com certeza colocarão muita “gente grande” na cadeia. O trabalho é muito pesado, mas está sendo feito. A grande pena é que muito do que precisa de julgamento está no STF e ele é muito calmo. Não existissem tantas autoridades com foro por prerrogativa da função, tudo seria bem melhor e rápido.

Quando colocavam o dinheiro no bolso, será que eles pensavam que nunca seriam descobertos? Será que achavam que conseguiriam esconder tanto dinheiro? A verdade é que debochavam dos meios de investigação e tinham certeza da impunidade, que sempre foi característica marcante no Brasil.

Desnudaram-se os tarados tanto pelo poder quanto pelo dinheiro. Os safados tiveram a plena convicção de que dava para ser político e enriquecer ilicitamente com a profissão, conjugando poder e grana.

Só agora? Sim, porque só no início da explosão da bomba é que o Brasil reuniu condições para fazer o que precisava ser feito. Primeiro, veio o fortalecimento das instituições, como a Polícia Federal e o Ministério Público. Após, a ferramenta legal, ou seja, a possibilidade de ser feita a delação e isso acarretar benefícios ao delator.

É claro que ainda existem os resistentes à delação, mas o tempo na prisão vai minando a cabeça do bandido e ele começa a vê-la como única saída para tentar não ficar o resto da vida com sua liberdade restrita.

O fato é que o país está sendo virado do lado do avesso e, se muitos estão chorando, vai logo aparecer alguém querendo vender lenços e se beneficiar da crise. Se lá nos EUA precisaram recorrer ao Trump, aqui o Luciano Huck já foi cogitado.
Salve-nos, Deus.
 

Promotor de Justiça da 2ª Promotoria da Infância e Juventude de Campos


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