20 de Abril de 2017 | 23h13

Tiradentes, foi um herói inventado?

Por Alberto Rosa Fioravanti


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Na escola eu aprendi que Joaquim José da Silva Xavier (o Tiradentes), teria sido o “bode expiatório” de uma revolução, a Inconfidência Mineira, que se dizia iluminista, mas que estava preocupada com o quinto do ouro das Minas Gerais que era enviado à Portugal. Tiradentes teria participado dessa revolução, condenado, enforcado e esquartejado pelo governo português. Sua cabeça teria sido fincada em um poste e partes do corpo expostas pelas estradas da região. Assim, no dia 21 de abril de cada ano, as escolas, repartições públicas, empresas privadas, indústrias, comércios e outros serviços, fecham suas portas para mais um feriado. Mas será que o povo sabe mesmo que feriado é este? Mas será que Tiradentes foi mesmo esse herói nacional que os livros escolares indicam que morreu enforcado em 21 de abril de 1792?

A historiografia recente pretende mostrar que ele não foi o que dizem ser, e fiquei surpreso ao ver uma entrevista da TV Capixaba com o historiador Clério José Borges de Sant Anna, que em suas pesquisas indica que Tiradentes, herói nacional a partir da proclamação da República, foi considerado um vilão até 15 de Novembro de 1889, e que sua clássica imagem, de barba e cabelo comprido, é fictícia. Ele afirma que Tiradentes nunca teve cabelos compridos ou barba. Seja quando militar (pois deviam moderar a quantidade de pelugem na cabeça e rosto) ou na prisão, onde os cabelos e a barba eram cortados a fim de evitar piolhos, ou mesmo no momento da “execução”, quando todos os condenados à forca tinham a cabeça e a barba raspadas.

Embora a historiografia oficial considere a inconfidência mineira (1789) como uma grande luta para a libertação do Brasil, a conspiração dos mineiros teria sido basicamente, um movimento de oligarquias, no interesse da oligarquia, e o nome do povo invocado apenas como justificativa. O historiador Marcos Antônio Correa sustenta que Tiradentes não morreu enforcado em 21 de abril de 1792. Ele suspeitou disso quando pesquisava documentos da Assembleia Nacional Francesa e viu numa lista dos presentes em 1793 a assinatura de um Joaquim José da Silva Xavier, e feito um estudo grafotécnico concluiu que se tratava da assinatura de Tiradentes. Correa relata que em troca de ajuda financeira à sua família, que havia sido oferecido pela maçonaria, foi um ladrão condenado quem morreu no lugar de Tiradentes. Testemunhas da morte de Tiradentes se diziam surpresas, porque o executado aparentava ter menos de 45 anos. Tiradentes teria sido salvo pelo poeta Cruz e Silva (maçom, amigo dos inconfidentes e de juízes da Devassa) e embarcado incógnito para Portugal em agosto de 1792.

A lembrança de Tiradentes e do movimento se tornaram importantes, a partir da Proclamação da República quando os novos governantes (Marechal Deodoro e Marechal Floriano) necessitavam criar um novo país, com uma nova história e novos heróis, dos quais as pessoas deveriam se orgulhar. Assim a República teria fabricado a imagem de um homem cabeludo e barbudo para assemelhar a figura do condenado à de Jesus Cristo, aumentando seu tom de mártir, vítima e herói bondoso. Tudo isso para fazer com que as pessoas pensassem: "da mesma forma que Cristo morreu pela humanidade, Tiradentes morreu para salvar o Brasil". Paz e Bem!

Doutor em Planejamento Econômico e Social e membro da Academia Campista de Letras (ACL)


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