13 de Julho de 2017 | 08h32

O mecanismo do privilegio

Por André Uebe


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O mecanismo do privilégio. Em um mundo predatório, este é o mecanismo a qual um minoria de indivíduos estabelece um grupo de elite, intocável. E, neste garante a sua sobrevivência. Este não é um privilégio de espécie ou raça, ou ainda, credo filosófico ou religioso. Este é um mecanismo natural à sobrevivência. Em um mundo hostil, os indivíduos se associam, estabelecem um “elo de sobrevivência” no combate a um inimigo comum. 
E eis o Homem contemporâneo. Senhor de suas ciências, suas artes e suas tecnologias. Mas ainda envolto em toda a sagacidade primitiva que o fez sobreviver desde os tempos remotos. Será ele tão privilegiado assim em sabedoria? Vejamos.
A partir do momento em que um grupo de indivíduos se associa por meio do mecanismo do privilégio, toda a ação praticada por um membro deste grupo passa a ter um único propósito: a preservação deste grupo. É uma atitude natural, haja vista que a sua sobrevivência depende da sobrevivência do grupo. Mas coletivamente esta atitude traz prejuízos a longo prazo. Prejuízos esses que recairão sobre o sagaz primitivo grupo de elite que se beneficia, a curto e médio prazo, das benesses oriundas do mecanismo do privilégio. A questão é que, tendo como único propósito de suas ações individuais a preservação do grupo a qual pertence, o indivíduo deste grupo acaba excluindo todos os demais que não pertencem a sua estirpe. E quando isso acontece, aqueles outros indivíduos segregados passam a carecer dos privilégios dos indivíduos do grupo de elite. Privilégios muitas vezes mínimos como, por exemplo, saúde, alimentação e educação. E esta situação de elitizados e marginalizados persiste até que a situação se torna insustentável para os marginalizados que, nada mais tendo a perder além da dor de suas desgraças, resolve abandonar sua passividade em explosões de revolta.  Mas este não é um processo imediato. Requer maturação. Requer tempo. Mas acontece! 
O interessante é que por mais igualitário que um regime econômico político e social queira ser, sempre existirá o grupo de elite. E estes privilegiados, acabam sendo a derrota de si mesmos, uma vez que são incapazes de enxergar que não há como crescer vida em solo árido. Onde não se planta bem estar, educação, saúde entre outras coisas, nãos se colhe muito além de violência, desgosto e mais animalidade em um mundo já predatório. O equilíbrio, esta é a verdadeira fórmula essencial à sobrevivência!
Assim foi com a aristocracia francesa, vitima de seus desmandos e destrato ao povo. O modelo socioeconômico comunista sofreu, também, os efeitos do mecanismo do privilégio. Pautado em uma premissa de propriedade coletiva dos meios de produção, mostrou-se ideologicamente viável, até mesmo em um aspecto prático. Porém, foi incapaz de lidar com a suas elites que, compostas por pessoas que no final das contas tinham mais privilégios que os demais, os coletivizados, acabavam tendo um privilégio que não os colocava em patamar diferente da aristocracia da França, por exemplo.
E o Brasil segue pelos mesmos caminhos historicamente trilhados quando, por exemplo, se fala em reformas de mecanismos sociais, como o da previdência, elitizando certos grupos, os intocáveis, como as classes política, militar e judiciária, aos excluí-las ou amenizar-lhe os efeitos da essência das ditas reformas. 
Talvez realmente sejamos uma espécie nova no universo. Portanto, temos muito que errar o mesmo erro. A história parece nos contar, mas infelizmente parece nada nos dizer, quanto a lições aprendidas que não devemos repetir. 

Administrador, Professor, PhD


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