14 de Julho de 2017 | 14h19

Lilliput Redescoberta e as Micronações Virtuais

Por Alberto Fioravanti


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   Certamente os leitores ainda se lembram das “Aventuras de Gulliver” escritas por Swift, mas não me refiro aqui à Lilliput descrita por Swift, mas às Lilliputs de verdade que existem no dia de hoje. Em 1997 o historiador Luiz Gittner escreveu o livro, “Em Busca de Lilliput”, com o qual ele conduz o leitor aos mais interessantes micropaíses do mundo – como o Vaticano, o Principado de Mônaco, o Principado de Liechtenstein, a República de São Marino, o Principado de Andorra, e outros cuja lista não cabe neste artigo. Além dos país que todos nós já escutamos falar, ele também descreve micropaíses originais, localizados em pequenas ilhas no Oceano Pacífico ou em enclaves perdidos em montanhas da Europa, cujas origens são anteriores à Idade Média.

   Em seu livro Gittner registrou também a existência de “países” que se classificariam como de fantasia, como o Principado de Sealand, estabelecido numa plataforma petrolífera abandonada em águas internacionais no Mar do Norte, e comprada um milionário inglês – o mesmo país que num passado recente foi tema dos Tele-Jornais, já que uma sua pseudo “embaixada” na Espanha,  estaria envolvida num comercio de “Passaportes Diplomáticos”. Mas neste artigo,  não me refiro nem a Gulliver ou às Micronações tratadas por Gittner, mas às existentes no mundo paralelo, o espaço virtual e que podem estar lado de nossa casa ou a milhares de quilômetros de distância.

   No passado escrevi um artigo onde chamava a atenção dos pais para os perigos da Internet, mas hoje escrevo sobre uma parte boa da Internet - as Micronações virtuais. Elas são muitas, com formas de governo das mais variadas: repúblicas presidencialistas; repúblicas parlamentaristas, monarquias constitucionais, monarquias absolutas, etc., e possuem Constituições e leis bem elaboradas, mais avançadas e completas que em muitos países e que estabelecem os direitos e deveres dos cidadão, o funcionamento dos poderes executivo, legislativo e judiciário.

   O micronacionalismo é o espaço por excelência da criatividade, e assim são várias as nações e também os tipos de países virtuais que você pode encontrar. Monarquias - Constitucionais ou Absolutistas -, Repúblicas - Federativas, Aristocráticas, etc. -, e outros formatos que a imaginação permitir. O processo de participação popular nessas Micronações é democrático, com eleições regulares a cada seis meses, e com intensa atividade politico-partidária, quando partidos de todas as cores discutem abertamente seus pontos de vista. Se alguns políticos tivessem participado da vida de uma dessas Micronações, certamente teriam uma “boa escola” e não estariam cometendo os erros absurdos que vemos no mundo em que vivemos. 

   Dentro das Micronações, quero destacar o Sacro Império de Reunião - fundado em 28 de agosto de 1997 por Cláudio de Castro, então um brilhante estudante de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - que foi uma micronação muito ativa e organizada, chegando a contar com aproximadamente 800 cidadãos espalhados pelo globo. Lá os habitantes conviviam num ambiente sadio, as comunicações eram sérias e “palavras de baixo calão”, pornografia e temas correlatos banidos – e com um Poder Judiciário eficiente que não permitia isso. Hoje tenho excelentes amigos que conheci no micronacionalismo. Paz e Bem! 

 

Membro da Academia Campista de Letras (ACL)


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