17 de Maio de 2017 | 07h51

Torcendo pela economia

Inflação no Brasil é subdividida em várias siglas e desafia os governos há décadas


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Inflação no Brasil é subdividida em várias siglas e desafia os governos há décadas. A cada projeção do mercado financeiro, surgem digitais de que as articulações no combate às armadilhas inflacionárias se confundem com traços utópicos e as promessas de uma política econômica satisfatória ganham sons mais fortes nas características de falácias.
O Ministério da Fazenda é o canal principal das avaliações dosadas no discurso, já esgarçado, de que o Brasil está endurecendo o jogo contra a inflação. Mas as taxas de juros geralmente freiam o consumo e a desaceleração econômica aquece a massa de desemprego e os reflexos fortíssimos, logicamente, alvejam o consumidor.   

Interessante é que a avaliação continua fiel ao quadro: o difícil é viver debaixo da recessão, que a cada dia faz aumentar o desemprego e, consequentemente, diminuir o consumo. Notoriamente, todo cidadão, independente de classe social, sente o peso da inflação. Porém, é preciso inverter a lógica. 

Economistas apontam que a inflação hoje não é necessariamente derivada de consumo, mas muito mais de custos, porque a desvalorização do real perante o dólar faz com que grande parte dos produtos consumidos por parcela significativa da população continue em alta. 

O quadro sombrio prevalece. Para não ser literalmente diferente dos antecessores, o governo Temer também aposta na imediata queda da inflação. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, acredita no crescimento da economia do país, na casa dos 2,7%, no último trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2016. 

O ministro está coreto quando diz que o importante é que o Brasil volte a avançar, gerar emprego, gerar renda, com menos inflação. E ao brasileiro, para também não mudar o perfil, nada custa acreditar que no final deste ano a economia realmente ganhe musculatura a um ritmo de mais de 3% entrando em 2018. 

A palavra de Meirelles parece firme e não leva a nada torcer para que as projeções otimistas não se confirmem. Há sinais, sim, de que o país já apresenta trajetória de recuperação, mas precisa da implementação de reformas para garantir a melhora. Isso também está no discurso do ministro. No entanto, que sejam reformas decentes, formatadas essencialmente na coerência.

Até lá, resta aos brasileiros e brasileiras – que já foram fiscais literais contra a inflação, nomeados pelo então presidente José Sarney no lançamento do Plano Cruzado em março de 1986 - confiar, não perder o foco, acreditas na possibilidade de o governo ganhar competência e exercê-la. Porque o preço pelos estragos que a inflação vem causando à economia do país eles já pagam há anos. A receita é dar tempo ao tempo. 
 


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